16 de Maio de 2016

Qual será nosso legado?

No livro “O mito do Governo grátis” o economista Paulo Rabello de Castro destaca que a causa fundamental da estagnação industrial e econômica do país é a expansão contínua do gasto ineficiente do aparelho estatal. Rabello defende realinhar de forma radical a influência do Estado na economia. “A responsabilidade cabe, de fato ao governo; é ele que deve, portanto, o maior esforço de realinhamento”. Eu acredito nisso e acredito que nossa responsabilidade deve ser sempre maior que nossa popularidade.

Falar sobre mudanças do setor público no Brasil é um tabu. Fale em transformar, por melhor que seja a intenção, e sinta a reação negativa imediata. A resistência às mudanças é quase cultural. Alguns tabus, porém, devem ser quebrados, desmistificados, para que possamos obter avanços.

Um deles é a forma como se faz gestão pública. Sabe-se que o servidor público catarinense destaca-se pela sua capacidade e preparo. E esse esforço da formação continuada e da boa prestação de serviços merece ser reconhecido por outros meios que não sejam práticas ultrapassadas, que usam, por exemplo, o tempo de serviço como critério para alguém ascender na carreira. Não seria mais inteligente estabelecer meritocracia por meio de ferramentas e tecnologias para medir a eficiência e a qualidade do servidor público – e, claro, do serviço prestado?

Precisamos reconhecer e premiar aqueles realmente engajados. E esta é apenas uma das questões. Outros assuntos também merecem ser revistos, entre eles os limites de gastos públicos. Há uma infinidade de problemas no setor público tratados com o danoso ”sempre foi feito assim.”

É nosso papel mexer nesse vespeiro. Políticas precisam ser de Estado e não apenas de governos. O pensar público precisa levar em conta os efeitos nesta e na próxima geração, no mínimo. A sociedade tem avançado em um ritmo muito mais rápido do que o das melhorias nos serviços públicos. Uma boa administração deve introduzir práticas novas e eficientes.

Políticas precisam ser de Estado e não apenas de governos.

De tanto acreditar que não podemos mudar, acabamos aceitando mazelas que não precisariam existir. É a velha história da fila para pegar a senha para pegar a fila de ser atendido. Nós precisamos e podemos melhorar. O primeiro passo é reconhecer nossos erros como sociedade, sem demagogias. O setor público é composto por organizações, com alguns padrões diferentes das instituições com fins lucrativos, mas que reage igualmente bem a uma administração justa e eficiente que procure dar respostas realistas e adequadas à sociedade.

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